“... Sob a Tua Palavra lançarei as redes" (Lc 5.5b)


'O Teu caminho, ó Deus, é de santidade.

Que Deus é tão grande como o nosso Deus?

Tu és o Deus que opera maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder" (Sl 77.13-14)


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Berro da ovelha - desabafo!

O BERRO DA OVELHA: Por que freqüentar uma igreja?
Esta meditação faz parte de um livro que estou escrevendo: “O berro da Ovelha”.
Vivemos momentos de crise com relação a compromissos, especialmente no que se refere à igreja. Muitos deixaram de freqüentá-la e optaram por assistirem cultos em suas casas, seja pela televisão ou internet.
Alegam que é mais confortável, escolhem os pregadores e não precisam assumir compromisso e manter relacionamentos. Outros deixaram de congregar porque se sentiram traídos no passado, por irmãos que não cumpriram suas promessas ou, mesmo por líderes, que não praticam o que pregam. 

Quais são as implicações de participar ativamente de uma igreja local? 
        
1. Assumir compromisso de freqüência, de santidade:
Ser membro de uma igreja significa prometer participar das suas atividades e auxiliar no que for necessário.
            Participar de uma igreja é se comprometer a cultivar o padrão bíblico de atitudes e palavras. O famoso: "Eu fi-lo porque qui-lo" não dá certo aqui. Se fi-lo, terá que se explicar, submeter-se a questionamentos e a disciplinas.

2. Lutar para ter o melhor relacionamento possível com todos irmãozinhos:
            Complicou agora? E aquela pessoa que olha pra você de ladinho, enviesado? Você conhece alguém assim? Pois é, você deve amá-la, orar por ela e respeitá-la e, se preciso for, ajudá-la.
            Daí você se lembra do versinho:
“Viver com os santos nos céus, Ó que glória!
Viver com os santos na terra. Bem, isso é outra história”.

3. Submeter-se à liderança:
            Confesso que tive líderes maravilhosos, pastores e esposas que me ensinaram muito como fazer, com os seus exemplos de vida. São meus amigos até hoje e sou grata a Deus pelas suas preciosas vidas.
Também tive líderes (felizmente, poucos) que me ensinaram como NÃO fazer. Autoritários, especialistas em “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.  Não dá a ninguém o direito de opinar. “Eu decidi que...”. Mesmo contra a lógica, a prudência, a coerência. Você está entendendo agora porque o livro se chama “O berro da ovelha?” Béééééé...

4. Desenvolver casca grossa:
            Você é um colaborador na igreja? Benção! É um privilégio trabalhar para o Senhor. Entretanto, forme uma ‘casca grossa’ porque árvore com fruto leva pedrada.
Infelizmente, nem sempre contentamos a todos e sempre tem alguém que vai questionar e sabe por quê? Ele saberia fazer melhor, mas não faz porque o “tá-lento” dele é investigar, opinar e ensinar quem trabalha.
Li e gostei (autor desconhecido): 'Se você está chegando para criticar o que está feito, está chegando tarde. Deveria ter chegado mais cedo para ajudar a fazer. Assinado: Quem fez quando ninguém queria fazer!'
            Aprendi que não devo me preocupar em agradar a todos. Se o fizer, tornar-me-ei escrava das pessoas e de suas opiniões.

Entretanto...
Philip Yancey tem um livro magnífico (como todos os livros dele que tive oportunidade de ler até agora) intitulado: “Igreja, por que me importar?”. Ele diz: “Reconheço hoje que uma igreja severa, cheia de condenação e vazia de humildade e de qualquer senso de mistério, embotou durante anos a minha fé. Em suma, o cristianismo me manteve longe de Cristo...”.  
Yancey conta o seu retorno à igreja e porque não consegue viver sem ela. Quando li este livro já tinha começado a escrever “O Berro da Ovelha” e suas colocações se encaixaram perfeitamente no que eu sentia. 

            Graças a Deus, nunca deixei de participar da igreja. Amo a igreja porque ela foi criada por Deus e tem sido benção em minha vida e na vida de minha família. Peço a Ele que sempre tenhamos liberdade para freqüentá-la. Louvado seja Deus que zela pela igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mateus 16.18).
Sendo assim, vou listar alguns razões pelas quais jamais quero deixar de freqüentar uma igreja:

1. A igreja é projeto de Deus para minha vida:
Deus instituiu a igreja. E tudo que Deus criou é bom. Segundo Paul Tournier “Existem duas coisas que não podemos fazer sozinhos: casar e ser cristão”.
Outro dia uma jovem se casou consigo mesmo e a festa deve ter sido linda (pelo que eu li). Entretanto, o mais interessante, que é o depois da festa (lua de mel, a ‘vida a dois’), deve estar sendo uma lástima.
            A igreja é o corpo de Cristo. Ele é a Cabeça (1 Coríntios 12.26-31). Deus nos dotou de dons. Não usá-los traz frustração, inquietude.  Se os seus não estão sendo utilizados, converse com o seu pastor e Deus queira que Ele tenha a visão de um ministro que disse: “Se eu não der oportunidade para uma ovelha de exercitar os seus dons, terei que responder diante de Deus”.

2. Somos chamados para sermos imitadores de Cristo (1 Coríntios 11.1):
            Jesus Cristo (Lucas 4.16, 31) e Paulo nunca deixaram de freqüentar a Sinagoga, mesmo sendo incompreendidos e perseguidos. “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns...” (Hebreus 10.25).
           A igreja nos ensina a obedecermos a Deus, a sermos imitadores de Cristo, a desenvolvermos o fruto do Espírito Santo. Isto gera alegria, paz, amor. Aprendemos submissão às autoridades, a certeza de que Deus está no controle e não há autoridade que não proceda d’Ele.

            Sabe aquele irmãozinho que olha enviesado pra você? Será que isso não tem sido recíproco? Conta uma lenda que certa moça, ao se casar, foi morar com a sogra e o relacionamento delas se tornou insuportável. Ela foi até um sábio, amigo de seu pai e pediu um veneno para matar sua sogra. Ele deu um saco com ervas e disse que ela deveria colocar um pouco por dia e pra ninguém desconfiar deveria tratar a sua sogra muito bem. Ela obedeceu as instruções do sábio.  Levava chá para sua sogra, fazia os seus doces favoritos.  Aos poucos, elas começaram a conversar e, certo dia, a jovem percebeu que a sogra tinha se tornado sua melhor amiga. Correu para o sábio e pediu um antídoto para o veneno. O sábio disse: - Não era veneno, eram ervas aromáticas. O veneno estava no seu coração. 
Com nossos irmãozinhos devemos aprender tolerância, domínio próprio, paciência. Com eles podemos nos desenvolver e nos estimular mutuamente na fé, no amor e nas boas obras (Hebreus 10.24).

            Igreja, local de estender a mão para um mundo ferido, onde eu posso “berrar” minhas dores, meus arranhões, minhas “fraturas expostas”, como diz Yancey. Local de orientação, consolo, oração. Yancey diz que quando a igreja se acomoda, se torna insensível à dor do próximo e evita servir aos que sofrem, ela se torna raquítica e não amadurece. A igreja deve trabalhar em vários âmbitos, desde que tenha pessoas capacitadas (alfabetização de adultos, atendimento médico, psicológico, apoio às mães solteiras, idosos, deficientes físicos, doentes terminais). 

3. A igreja é local de adoração a Deus:
            Local de crescimento, da Presença especial do Pai: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.20).
Igreja, local da benção: “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida, por meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18.19).

4. A igreja é local de aprender com Deus:
            Quando minha filha, Deborah, fazia cursinho para prestar o vestibular, combinamos que ela não iria a todos os cultos. Certa noite entrei em seu quarto e ela estava chorando. Disse que o povo estava reunido na igreja, Deus estava ministrando na vida deles e ela estava perdendo a benção.
            Nossos ajuntamentos deveriam ser sempre assim. Um caminhar, dia após dia com Deus. Um ensinamento progressivo, imperdível. 

5. A igreja = Academia da fé: local de treinar a musculatura da minha fé em Deus:
            A igreja, local para que a nossa fé se fortaleça ao compartilharmos a ação poderosa de Deus, os milagres em nossas vidas e nas vidas dos nossos irmãos.
Conta-se que um pastor visitou um membro da igreja que tinha se afastado. O homem disse que estudava muito a Bíblia em casa, que não gostava de sair. O pastor comparou a sua fé em Deus como uma brasa. Sozinha, separada da fogueira, sem o calor das demais, ela logo se apagaria. Um tição fora da fogueira vira carvão. Sozinhos, não há ânimo, não há fé que se fortaleça. Quando nos distanciamos, ficamos empobrecidos, inquietos, sem paz. 

Igreja, local de desenvolver comunhão. Diferentes irmãos, na origem, na formação cultural, nas condições financeiras, no histórico de vida. Terreno fértil para aprendermos não só a respeitar as diversidades como também valorizá-las pelo muito que nos ensinam. Unidos pela fé em Deus, pelo sangue do Cordeiro. Dispostos a trilharmos juntos a caminhada aqui na terra, apoiando-nos mutuamente, perdoando, pedindo perdão, aprendendo a amar, até o encontro com Deus na eternidade.
Podemos, ocasionalmente e até injustamente, levar pedradas, mas temos a consciência que a obra é feita para Deus e, nestes momentos, nos sentimos consolados, tratados por Ele no mais profundo do nosso interior. 

6. A igreja é local de se preparar e se dispor a fazer missões:
            Uma igreja colocou no seu portão de modo que todos que saíam dela pudessem ler: “Você está entrando em um campo missionário”.
            Juntos, podemos cumprir a missão que Jesus nos outorgou: “... Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15).

7. A igreja é local do privilégio de devolvermos o dízimo ao Senhor:
            “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós, benção sem medida. Por vossa causa, repreenderei o devorador para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3.10-12).
Dizimar é decidir obedecer a Deus. Muitas vezes deixamos de abençoar pessoas por omitirmos este ensinamento. Deus é fiel, não mente, cumpre Suas promessas. Deus repreende o devorador das nossas colheitas, faz de nossas vidas uma terra deleitosa.
Se você não é dizimista, decida fazê-lo; não para receber dividendos e sim, por obediência a Deus.

Concluindo, devo dizer que pertencer a uma igreja é deleitar-se do privilégio de estar dentro do projeto de Deus, trabalhar nela é exercitar os dons que o Espírito Santo nos concedeu. Isto traz realização, significado para nossa existência.

Na igreja, desfrutamos da comunhão com os irmãos (Atos 2.42-47) e juntos, adoramos a Deus (Salmo 100.4-5), e aprendemos d’Ele e com Ele.

Quando Jesus perguntou aos seus discípulos se preferiam afastar-se d’Ele, Pedro resume tudo quando diz: “... Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6.68).

Se você não é membro de alguma igreja evangélica, reflita sobre isto e busque conhecer a Deus e a Sua vontade, o mais rápido que puder e desfrute deste precioso projeto do Pai.
Deus o abençoe!

3 comentários:

tia Marcia disse...

Te agradeço amiga e agradeço primeiramente a Deus que começou a boa obra em Ti, creio que hj é o dia que mais precisava ler essa palavra, e sei que Deus é Fiel, a igreja somos nós, não é mesmo, e como nosso Deus maravilhoso cuida de nós, chegamos ao ponto de corar de vergonha, tamanho é o amor DEle.
Bjs em Cristo

Filósofo Calvinista disse...

Regina:

Excelente texto e parabéns pela preocupação em abordar o assunto.

Estou seguindo seu blog agora. Quando tiveres um tempinho aparece lá no nosso também.

Como faço para adquirir seus livros? Tens algum publicado sobre cristianismo e genética? Se não tens, fica a dica. Não foi por acaso que Deus a conduziu por este caminho.

Abaixo o link do meu livro, pela livraria cultura:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=7036171&sid=002492513131216372008894339

Tudo de bom!

Tudo de bom

KLE SANTS disse...

Excelente texto, Regina Helena. Simples, claro e direto. É disso que o leitor precisa. Parabéns pelo livro! Sucesso pra você! www.klerida.blogspot.com (Kle)