“... Sob a Tua Palavra lançarei as redes" (Lc 5.5b)


'O Teu caminho, ó Deus, é de santidade.

Que Deus é tão grande como o nosso Deus?

Tu és o Deus que opera maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder" (Sl 77.13-14)


terça-feira, 23 de julho de 2013

'O que é se dar bem?'

 Certo dia, meu marido orientou uma pessoa no início de sua vida profissional, para que fosse criteriosa no ritmo escolhido e nos seus alvos, porque poderia chegar o dia em que não conseguiria manter o mesmo pique (por construir uma família, pela idade, saúde...) e isto poderia deixá-la angustiada, culpada. 

Considerou que, caso ela continuasse no compasso que estava, no final ganharia em produção (quantidade), mas perderia na eficiência, na qualidade e teria um péssimo padrão de vida. 

Aconselhou ainda que ela pensasse num esquema que possibilitasse realização profissional, mas também o desfrute da vida, sem tanta exigência. 


Sabe, particularmente tenho me preocupado com a luta interior de muitas mulheres.

A emancipação feminina foi necessária e, digamos, até tardia. Entretanto, o excesso de cobranças visando realização profissional e familiar, têm tornado o preço alto demais.


Tenho recebido ligações de jovens recém-casadas que deixaram seu emprego pra se mudar para cidade onde o marido trabalha. Também de mulheres prestes a se aposentar.

E agora? Depois de tantos anos estudando ou trabalhando criaram hábitos, uma movimentação intensa e mudar de atividade choca, angustia. É impactante!

Posso comparar com um carro em movimento que é freado de repente. Somos arremessados pra frente porque a tendência é nosso corpo continuar em movimento. Os físicos chama isso de 'inércia da matéria'.
Se não estivermos alicerçados, preparados com o 'cinto de segurança', batemos a cara.


Quando interrompemos uma atividade (seja por doença, casamento, aposentadoria ou, até mesmo, por mudança de área) podemos nos sentir perdedores e questionar: - ‘Será que esta decisão foi a mais acertada?’
Lembro-me da insegurança que senti quando pedi demissão do banco em que trabalhava pra cursar uma faculdade pública, período integral. Na época tive grandes perdas materiais porém hoje, estou certa de que foi uma ótima decisão.


Temos que ter o direito de optar. Não podemos e nem devemos nos tornar reféns da opinião da sociedade, dos bens materiais.

Não estou fazendo apologia da preguiça, da inatividade. Não mesmo! Penso somente que a nossa vida é muito curta e temos muitas opções e, todos nós devemos, na medida do possível, escolher as sementes que iremos usar nas várias etapas de nossas vidas.
A preocupação em cumprir metas, corresponder ao que o outro, o mundo espera de nós pode tornar nossa vida artificial, desperdiçada.
Há quem desenvolveu frutos mais significativos na velhice do que na sua juventude. As perdas, os relacionamentos trouxeram maturidade, perseverança, compreensão de suas limitações e possibilidades. Muitos mudaram suas estratégias e outros, o ramo de atividade e finalmente, se deram bem. 
É a bióloga que deixou tudo pra se tornar uma pintora. É o engenheiro que se tornou chef de um restaurante. É o médico que se tornou um grande fazendeiro.


E então, vem a pergunta: - O que é se dar bem?

É agradar o outro, a sociedade? É alcançar poder, condições de adquirir muitas coisas ou, mesmo com pouco, ser feliz e fazer outros felizes? 
A gente precisa de muito pouco pra viver. Criamos necessidades desnecessárias, enchemos nossas vidas (coração, guarda-roupa, casa, garagem) com coisas dispensáveis. Pra isto, nos arrebentamos de tanto trabalhar.

E a vida passa...
Alguém já disse que rico é aquele que é feliz com o que tem.

Creio firmemente que se dar bem na vida é cumprir o propósito de Deus, frutificando em todo tempo, porém sempre guardando os Seus princípios, a dignidade, a honra. 


Quando me aposentei fui incompreendida e até questionada por alguns colegas, mas optei por dirigir minha história. Hoje, ao olhar para os frutos resultantes do uso da minha aposentadoria, fico muito feliz e realizada.


A sociedade sabe cobrar e nos deixar indecisos. Lembra da ilustração do velho, do menino e do burro que iam para uma feira e encontravam pessoas no caminho? Algumas queriam que o menino fosse montado sobre o burro, outras questionavam que o velhinho tinha mais necessidade e outros que o burro estava magro pra levar tanto peso.
Finalmente, foram até a feira carregando o burro e a moral da história é que críticas sempre haverão e que jamais conseguiremos agradar a todos.

Sendo assim, que tal sermos autênticos, desde que isto não fira a liberdade e os direitos do nosso próximo?

Que aproveitemos as oportunidades sem nos desgastarmos, sempre buscando desfrutar de uma vida de qualidade em nossa caminhada e em cada etapa de nossa vida. Porque a vida passa...
Que o desejo do nosso coração seja o de agradar somente a Deus, que quer que experimentemos uma vida frutífera, boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). Um Deus que não cobra mais do que possamos cumprir. Perto d'Ele não preciso demonstrar desempenho. 
Um Deus que pensa em nós com planos de paz (Jr 29.11) e que enviou Jesus pra que tivéssemos, aqui e agora, uma vida em abundância (Jo 10.10). 

Que tal começar a desfrutar dela hoje mesmo? 

“Só eu conheço os planos que tenho para vocês: prosperidade e

não desgraça e um futuro cheio de esperança” (Jeremias 29.11 - NTLH)

Deus o oriente nesta jornada!

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