“... Sob a Tua Palavra lançarei as redes" (Lc 5.5b)


'O Teu caminho, ó Deus, é de santidade.

Que Deus é tão grande como o nosso Deus?

Tu és o Deus que opera maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder" (Sl 77.13-14)


sexta-feira, 20 de julho de 2012

DIA DO AMIGO - "Quem é o seu amigo?"



“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo;
cada homem é parte do continente, parte do todo; 
se um seixo for levado pelo mar,
a Europa fica menor, como se fosse um promontório,
assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua;
a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade;
e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram,
eles dobram por ti” John Donne.


          “Dia do amigo” (20/07), iniciativa do argentino Enrique Febbraro, homenageia a chegada do homem à lua, em 1969. Febbraro considerou: “Um feito que demonstra que se o homem se unir com seus semelhantes não há objetivos impossíveis”

Certa vez, um homem de 53 anos confessou, chorando: - Não tenho amigos. A solidão em que eu vivo é angustiante, dói demais”!
Num mundo globalizado, onde, nas comunidades do Orkut e Facebook declaramos publicamente que somos amigos de tantas pessoas, é oportuna uma parada para reflexão: “Quem são, na verdade, os nossos amigos? O que é ser um amigo?”
Há quem diga que, apesar do volume crescente de veículos de comunicação, o homem nunca se sentiu tão só, tão carente de boas amizades. 
Abaixo um quadro (autoria desconhecida) compartilhado por muitos jovens no Facebook retrata a solidão.
Solidão opcional, como uma pausa para meditação, é boa, é saudável. Mas em todo tempo, não! Deus disse: - “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18).

Para aprender sobre amizade, pensei num exemplo de bons amigos na Bíblia. Há vários. Escolhi a história de Rute e Noemi. Noemi morava em Moabe com seus dois filhos e marido. Os três morreram e ela ficou sozinha com as suas noras. 
Viúvas, num período de fome e discriminação, Noemi decidiu retornar à Belém, sua cidade natal. Rute, uma de suas noras, insiste em ir com ela e diz:
“Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu;
o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada;
 faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver,
 se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1.16-17)

            Rute e Noemi nos ensinam como os amigos devem ser:
  1. Respeitosos e confiáveis:
Amigo é aquele que respeita o outro na sua privacidade e no seu jeito peculiar de ser. 
Com um amigo, compartilhamos nossos pensamentos (dores, anseios, medos), sem recear julgamentos, pré-conceitos, fofocas:  
“O mexeriqueiro revela o segredo: portanto,
não te metas com quem muito abre os lábios” (Pv 20.19).

            Noemi entendia a necessidade de Rute de ter um esposo para ser feliz e realizada como mulher e mãe e a orienta, com sabedoria (Rt 3.1).

  1. Parteiros de sonhos e não coveiros de alegria, de possibilidades:
Noemi desperta esperança no coração de Rute e mostra o caminho que ela deve seguir, dentro da orientação bíblica (Dt 25.5-10; Rt 2.20, 3.1-5).
Amigo é aquele que nos motiva a avançar, a melhorar, seja no relacionamento com Deus, com a família, na vida profissional, como ser humano. Há lugares, sonhos que não conseguiremos alcançar sem que alguém nos ajude a abrir as portas ou a derrubar muralhas, sob a ‘possibilidade’ de Deus.

Amigo adverte, admoesta, com afeto, quando necessário. Não alisa a cabeça de quem está indo pra caminhos de morte, nem busca falar o que o outro quer ouvir. Li e gostei: 'Quem puxa saco, puxa tudo, inclusive tapete'.
“Leais são as feridas feitas pelo que ama,
porém os beijos de quem odeia são enganosos...
Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim,
o amigo encontra doçura no conselho cordial” (Pv 27.6, 9).
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O coveiro é aquele que sempre tem uma palavra de impotência: - “É muito difícil, você não vai conseguir. Tantos tentaram inutilmente. Desista!” Suas palavras corroem como câncer (2 Tm 2.17);  no seu íntimo, arquitetam contendas (2 Tm 2.23), matam sonhos no seu nascedouro. 
Quantos enterraram talentos porque ouviram palavras de desânimo nas primeiras tentativas?
           
  1. Bálsamo, refúgio nas adversidades, nas aflições:
Rute poderia ter ficado na sua terra natal, mas decidiu acompanhar sua sogra, Noemi. Deus se agradou disso ao ponto de fazer dela uma ancestral do grande Rei Davi e do Salvador do mundo, Jesus Cristo (Rt 4.22; Mt 1.5). No sofrimento de Noemi, Rute revelou seu amor, sua amizade. 

       Paulo tinha muitos amigos. Alguns o assistiram na prisão em Roma (At 27:3). Outros traziam ânimo, vigor a Paulo, como Timóteo e Epafrodito (Fp 2.19, 25).  
“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17)

Amizades interesseiras têm vida curta na dor; as verdadeiras, por sua vez, perduram por gerações. Jônatas enfrentou seu pai, o Rei Saul, para defender Davi, mesmo arriscando sua própria vida (1 Sm 20.32-35). Quando Davi se tornou Rei de Israel, mandou buscar o filho de Jônatas, Mefibosete, para morar no palácio e o tratou como um filho (2 Sm 9.1-13). 
Amigos se animam mutuamente, levanta o outro (Ecl 4:10) e o estimula a esperar e perseverar com alegria, no Senhor e nos Seus milagres.

  1. Perdoador e intercessor:
O homem tem a tendência de reprovar, zangar. De repente, aquele bom amigo, comete um deslize, diz uma palavra ‘mal-dita’. Se deixarmos o ranço crescer dentro de nós, ele pode sufocar tudo de bom que rolou no passado.
Deus nos ensina a desenvolver a misericórdia e a perdoar. O perdão cura, liberta quem é perdoado e, especialmente, quem perdoa. Há alguém precisando do seu perdão? Perdoe!
Bom amigo é aquele que desperta boas intenções em nossos corações, que nos aproximam mais de Deus e da Sua vontade. Bom amigo é um intercessor perante o Pai.
Jó, mesmo sofrendo, intercede pelos amigos que tanto o perturbavam. Enquanto fazia isso, Deus o abençoava, restituindo-lhe o dobro de tudo que antes possuíra (Jó 42:10).

Refletindo:
            Quantas pessoas consideram você como amigo e sabem que podem contar com seu apoio, tempo, presença, especialmente nos momentos da agonia?
            Que Deus nos ensine, a cada dia, a sermos amigos melhores, mais sensíveis às necessidades do outro, leais, confiáveis, parteiros de sonhos, de idéias, de ideais; amigos perdoadores.
“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos,
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Sede, pois imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 4.32-5.1)

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