“... Sob a Tua Palavra lançarei as redes" (Lc 5.5b)


'O Teu caminho, ó Deus, é de santidade.

Que Deus é tão grande como o nosso Deus?

Tu és o Deus que opera maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder" (Sl 77.13-14)


sábado, 9 de abril de 2011

Massacres... incredulidade, dor e a questão: por que?

Mais um massacre. Agora em Connecticut (EUA).
O mundo fica mudo e sem ação diante de tamanha dor. 

Tempos atrás postei sobre um tsunami natural (ocorrido no Japão) e depois sobre um massacre ocorrido pertinho de nós, (Rio de Janeiro): abominável catástrofe humana. 
Agora mais um, nos EUA, com a morte de 26 pessoas. Muita dor, incredulidade, mexe com o nosso íntimo, com as nossas entranhas.
Segue abaixo o que escrevi na época do ocorrido no Rio de Janeiro:

As manchetes desta semana, de todos os jornais do Brasil, referiam-se ao massacre no Rio de Janeiro e a dor e a indignação de um país diante de tamanha calamidade. Um rapaz mata doze adolescentes de uma escola e deixa outro tanto em estado grave nos hospitais.

            Este crime hediondo fez-me lembrar de um livro do Philip Yancey, intitulado “Para que serve Deus (em busca da verdadeira fé)”. Neste livro, após sobreviver milagrosamente a um acidente de carro, Yancey recebe um convite para falar na escola “Virginia Tech”, onde 32 alunos e professores foram assassinados por um estudante coreano, em 2007.

            Em convalescência e com muita dificuldade física ele se deslocou para a cidade de Backsburg (EUA) para ministrar um pouco de conforto aos familiares e amigos, todos aturdidos e paralisados, sem conseguirem entender o momento em que viviam. Muitos se perguntavam: “Por que?” e “E agora”? A dor da perda é tão grande que o tempo parece parar e tudo perde o seu significado. Uma agonia que expõe, desnuda as intenções, valores, crenças, a vida. Num momento como este, de alguma forma o interior, a percepção do mundo muda para sempre.

            Yancey compara esta dor com uma ferida lancinante e exposta que atinge não somente a camada externa, protetora da pele, como também o tecido conjuntivo (mais profundo). Em sua mensagem ele incentiva a comunidade a se unir, a ajudarem-se mutuamente. Incentiva a busca de um Deus consolador que deu liberdade de opções ao homem e chora ao ver a miséria do nosso coração. Incentiva a abrirmos os olhos e a contemplarmos a natureza, a repensarmos no que valorizamos, a cultivarmos a vida interior, a bondade, a dignidade, o amor e o perdão. Finalmente incentiva a busca de uma fé que faça diferença; a companhia de irmãos numa igreja sensível, que acolhe o ferido, chora com os enfermos, que ensina o perdão e a graça de Deus. Somente o perdão pode ajudar a curar as feridas resultantes do ódio e do fanatismo.

            Yancey relembra Nelson Mandela, preso por 27 anos e, finalmente, eleito presidente da África do Sul, com o poder de exterminar seus desafetos. Porém, este homem perdoa seu carcereiro, os policiais que o aprisionaram injustamente e diz que o seu país precisava mais de cura do que de justiça. 

Vivemos hoje numa sociedade individualista, materialista que necessita rever o que tem buscado; repensar atitudes, sentimentos e buscar desenvolver mais a compreensão, a solidariedade. Pararmos de resmungar nos cantos da vida a respeito de como tudo está feio, “que o mundo está perdido” e refletirmos, especialmente, no que temos feito para modificar o curso desta história, a começar em nós mesmos. Buscarmos em Deus, o Único que pode nos ensinar, lições de perdão, de amor, de generosidade, de pensamentos dignos.

"Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.
Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos;
se morremos, para o Senhor morremos (Rm 14.7-8).

            Para os enlutados, para os que sentiram de perto o gosto amargo da perda ,a distância nos habilita somente a sermos intercessores, a ficarmos na brecha, clamando a Deus para que a igreja local saiba consolar, conceder o “colo” que tanto precisam. Que neste momento de angústia, ela se una num ajuntamento preventivo e terapêutico, cumprindo a sua missão de transmitir (em atitudes) o amor que provém do Pai. E, que o nosso Deus, Príncipe da Paz, de imensa bondade, revista os que sofrem com vigor, com ânimo de modo que consigam se levantar e continuar a sua jornada.  

          Que o Deus da nossa salvação, que faz novas todas as coisas, continue nos ajudando, dia após dia, a mantermos firmes a nossa esperança de vê-Lo na eternidade face a face, e então, Ele mesmo enxugará toda lágrima dos nossos olhos e a morte, o luto, o pranto e a dor já não mais existirão (Ap 21.3-5). ALELUIA!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

'Como recomeçar diante do nada?'

          Às vezes fico impressionada pensando na força tremenda que Deus colocou no interior do ser humano! Há um dínamo, um vigor dentro de nós que nos habilita a prosseguir mesmo diante de perdas imensas, mesmo com o coração em frangalhos, mesmo no meio de destroços.
       A Revista Veja desta semana (edição 2210) relatou sobre a cidade de Minami-sanriku que foi tragada pelo tsunami e perdeu mais da metade dos seus habitantes. A reportagem enfoca uma das famílias desta cidade, proprietária de uma empresa de materiais de construção. Alguns membros desta família morreram e outros estão hospitalizados. Entretanto, três dos sobreviventes, diariamente comparecem ao local onde funcionava a empresa, hoje atulhada de lixo. Os três, com luvas, muita paciência e esperança, limpam o local. Na semana passada encontraram forças para comemorar a retirada da metade do lixo que restara de sua firma. Vão reerguê-la? Não sabem. Sabem que existe um trabalho a ser feito e fazem.
     Pense um pouco sobre sua vida. Há alguma área em ruínas, necessitando de uma faxina, de uma reforma, muitas vezes de transformações radicais? Como recomeçar quando as colunas desabaram e nada mais resta? Como recomeçar diante do nada? Antes de qualquer coisa é preciso reflitar sobre aonde suas estacas foram fincadas...
  1. Caminho de Deus ou atalhos enganosos?
“Considero os meus caminhos e 
volto os meus passos para os teus testemunhos” (Sl 119.59).
       Muitas vidas perderam o sentido, desmoronaram, sofreram tsunamis porque estão distantes do caminho do Pai. Muitos se desviaram e tomaram atalhos enganosos. Edificaram para si construções frágeis em terrenos instáveis, alicerçados em valores humanos, perecíveis, muitas vezes fúteis, vazios de significados.
Muitos até ouvem a Palavra do Pai, mas não a praticam. Como Leomam meditou na última sexta feira, no encontro de casais da igreja (Lucas 6.41-49): “Se não praticar... a casa cai!”.
Como recomeçar? O recomeço começa com avaliações, como ‘considerarmos’ o caminho por onde temos andado. Nossas decisões estão de acordo com o projeto de Deus para nossas vidas? Como saber? A Bíblia descreve com detalhes o propósito de Deus para cada um de nós. Vamos meditar, consultar esta preciosa Palavra. Se nossas atitudes, escolhas não condizem com os mandamentos do Pai, é hora de parar, retornar os passos para os testemunhos de Deus... Hora de afastar os olhos de tudo que é inútil, estéril. Hora de voltar para casa do Pai. Distante dela só restam destruição e entulhos. Deus diz: “Tornai-vos para mim, e Eu me tornarei para vós outros... O que havemos de tornar?” (Ml 3.7).
Agora, se o nosso sonho, o nosso alvo está afinado com o plano de Deus, podemos avançar confiantes. Esta primeira reflexão é básica, sabe por quê? “Porque sem Deus nada somos e nada podemos fazer” (Jo 15.5). A segunda reflexão diz respeito à consistência da nossa disposição:

2. "Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem" (Ex 14.15)
“Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, 
e a glória do Senhor nasce sobre ti” (Is 60.1).

O grande ex-presidente dos EUA, Abraham Lincoln, disse: "Ando devagar, mas nunca ando para trás.” 
Há hora de clamar, hora de buscar a vontade do Pai e hora de ir em frente, com estratégias, entusiasmo, braços firmes, ousadia e o essencial: parceria firmada com o Rei de Israel.
      Durante a marcha, vigilância, consciência que o adversário está à espreita, em busca de brechas, cochilos. Muitos inimigos surgem fantasiados de ovelhas, com balido manso e insistente, buscando abalar nossos sonhos, expor nossas limitações. Querem nos desanimar, amedrontar, nos desviar para os atalhos dos vícios, da injustiça, da ranço, do caminho fácil, distantes do plano de Deus. 

     Entretanto, quando temos parceria com o Pai Eterno, os inimigos podem nos aborrecer, mas não conseguirão nos paralisar, afrouxar nossos braços ou desviar-nos do caminho. Porque maior é o que está em nós, do que o que está no mundo (1 Jo 4.4).


“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti,
em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual,
passando pelo vale árido, faz dele um manancial;
de bênçãos o cobre a primeira chuva” (Sl 84.5-6)



3. Perseverando sempre...
"...sabendo que a tribulação produz perseverança, 
e a perseverança, experiência;
e a experiência, esperança" (Rm 5.3-4)
           Sabe o que é a perseverança? Ela é avó da esperança! Pra ter esperança temos que exercitar nossa fé, perseverando na tribulação. Isso trará a experiência que deixará nossa fé robusta e a nossa vida cheia de esperança.
Portanto, nas lutas, quando não conseguimos vislumbrar avanços, não desanimemos: “Transportai um punhado de terra todos os dias e farás uma montanha" (Confúcio).  Sempre lembrando que a cada passo dado, mais perto estaremos do alvo.
Os obstáculos surgirão, pedras (às vezes montanhas rochosas), buracos (às vezes crateras), muralhas sem acessos. Entretanto, quando o sonho provém de Deus, Ele mesmo, nos bastidores, gera forças em nós para tirarmos os entulhos do caminho. Deus abre portões onde só tem muralhas, faz pontes em abismos. 
Com Deus nas batalhas somos maioria, invencíveis. Deus Altíssimo, que criou o nascer do sol e com ele renova a Sua misericórdia, a Sua aliança conosco.  “... Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5b)
            Vamos recomeçar? 
      Reflitamos na área de nossa vida (familiar, profissional) que anda precisando de renovo e busquemos mais a Deus em oração. 
       Que o nosso Pai Altíssimo restaure relacionamentos, nos ensine a perdoar e a escolher, sob a luz da Sua Palavra, as estratégias que devemos usar para avançar. Vamos lá?
Que Deus nos conceda ânimo, garra, perseverança no enfrentamento até alcançarmos o alvo.
E que O Todo Poderoso nos abençoe.

sábado, 26 de março de 2011

Há esperança...


            Você sabe quem foi Jó? Jó foi um homem que sabia fazer Deus sorrir, sabia agradar a Deus: “...homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.8). Nas madrugadas, Jó orava e intercedia por cada um de seus filhos. Chamava-os ao seu lado, para os santificar (Jó 1.5).

            Entretanto, Jó foi acusado por satanás de buscar a Deus com segundas intenções, visando favorecimentos. Deus permitiu que satanás provasse Jó. E assim foi. Jó passou por momentos terríveis, foi triturado nas mãos do inimigo, perdeu seus dez filhos (7 filhos e 3 filhas), bens (era muito rico), saúde e, por manter a fé em Deus, foi zombado por sua esposa e fustigado pelos seus amigos.
            Entretanto, a Bíblia diz que Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma. Moído, no vale, Jó diz a Deus: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5-6).

Deus de poder, que muda a sorte dos que confiam n'Ele!
            Jó, mesmo ferido, no fundo do poço, ora pelos seus amigos e enquanto ora, a sua sorte é mudada por Deus. Deus dá a Jó o dobro de tudo que possuía antes (Jó 42.10). Do vale, Jó é conduzido às montanhas pelas mãos do Pai e, ali chega, consolado, tratado, mais fortalecido na sua fé.
            Quando você lê na Bíblia o antes e depois da vida de Jó, verifica que os seus bens materiais dobraram em quantidade: ovelhas, camelos, bois e jumentas. Entretanto, Deus concede a Jó sete filhos e três filhas, o mesmo número de filhos que ele tinha perdido, não o dobro (Jó 1.2; 42.13). 
              Por quê?
            O significado é lindo demais. A alma é eterna. Jó foi presenteado com mais 10 filhos. Estes filhos, somados aos dez que tinham falecido, resultaria na eternidade em vinte filhos, o dobro.

Há tanto pra aprender com Jó.... 
O que realmente tem valor na minha vida?
            
1. Não devo me importar com o que as pessoas pensam sobre mim e sim com o que Deus pensa. 
            Não devo buscar reconhecimento, aplausos de homens e sim buscar, com disposição, obedecer e agradar a Deus.

2. Não devo valorizar os bens materiais, o poder, a fama e sim, as pessoas que me rodeiam. 
        As pessoas são eternas. Devo valorizar a família preciosa que Deus me deu, os irmãos em Cristo, os amigos.
  
Quantos têm se distanciado de seus lares em busca de aventuras, bens, títulos? O que tem sido relevante pra você? 
Lembre-se, o mundo inteiro pode se esquecer de você, entretanto, a sua família jamais se esquecerá de você, das suas atitudes, do seu modo de falar, do seu caráter.

Com Jó aprendemos a valorizar e orar pelos nossos amados, em todo tempo. Aprendemos a clamar a um Deus que busca se relacionar conosco. Deus consolador, de poder e graça que promove mudanças. Deus que age, que tem propósitos para nossas vidas e ninguém, nada neste mundo poderá frustrar Seus planos (Jó 42.2). ALELUIA!

3. Aprendemos com Jó a dizer, em todo tempo, na bonança e nas tempestades: “... Eu sei que o meu Redentor vive...” (Jó 19.25).

            Saber isso realmente faz toda a diferença, é o ponto de partida para uma vida que vale a pena ser vivida! Se você ainda não sabe, busque (com humildade e reverência) saber, conhecer, contemplar a este Deus Altíssimo. Não para receber favores e sim para conhecê-Lo melhor bem como o propósito que Ele tem pra sua vida para, com alegria, cumprí-lo, em obediência.

Louvado seja o nosso Deus e Pai!!!
Deus que traz significado a nossa existência, 
Deus que traz a primavera ao coração abatido.
“Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada,
ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.
Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco,
ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova...” (Jó 14.7-9)

terça-feira, 22 de março de 2011

"Menina dos olhos de Deus"

No filme “My fair lady” (1964), a protagonista diz que uma mulher é florista ou nobre não pela forma como se comporta ou pelas suas condições  econômicas e sim pela forma como ela é tratada.

Louvado seja o nosso Deus pela Sua misericórdia. A palavra misericórdia vem do latim: miser (miséria) e cordis (coração). Deus  coloca o Seu olhar, o Seu coração na nossa miséria e não no modo como nos portamos. Por isso, Ele nos dá, por amor (Efésios 2.4), o perdão, a salvação que não merecemos( Tito 3.5). "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).
Pai  compassivo que nos reveste de nobreza, nos presenteia com o Seu sobrenome (Is 45.4) e tatua o nosso nome nas palmas de Sua mão (Is 49.16).

            Deus que zela por nós, que diz que aquele que tocar em nós, toca na menina dos Seus olhos (Zc 2.8). Louvado seja Deus! Esta Palavra traz alento ao nosso coração, mas grande responsabilidade. 
           Precisamos rever como estamos tratando os que convivem conosco, aqueles que, como nós, são meninas dos olhos do Deus Eterno. Isto vale também para aquelas pessoas pouco 'amáveis’, difíceis de amar.  Tenho observado que estas são, exatamente, as que mais precisam do nosso amor, da nossa misericórdia. 
          Oxalá, nós, povo de Deus, raça eleita, sacerdócio real, nação santa (1 Pe 2.9), nos tratemos, mutuamente, com amor, apreço e misericórdia, como nos ensina o Pai ..

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos:
se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35)

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Deserto: Vitrine do caráter"

Ein Gedi: oásis localizado a Oeste do Mar Morto, próximo das cavernas de Qumran.  
Local de refúgio de Davi (1 Sm 24)

    Davi vivia momentos sombrios. O profeta Samuel, seu esteio, referencial de sua geração, morrera. Anos atrás, este profeta o havia ungido como rei de Israel. Somado a tristeza desta perda, Davi vivia como nômade, fugindo do Rei Saul que queria matá-lo.
Chegando ao deserto de Parã, região onde habitava Nabal, Davi fica sabendo que ele e sua tribo estão em festa. Tempos atrás, Davi tinha ajudado os servos de Nabal. Então, manda pedir ajuda e é desdenhado. Nabal era um homem rico, poderoso, porém, maligno e intratável. Davi fica ofendido e decide atacá-lo. Um servo de Nabal conta para a sua esposa, Abigail, os benefícios que Davi trouxera a eles e o perigo que todos corriam.
            Imediatamente, Abigail prepara pães, vinho, ovelhas e leva para Davi e seus homens. Com submissão e sabedoria, intercede pelo seu povo. Argumenta que Davi não deveria se vingar com suas próprias mãos e Davi, com humildade, reconhece que Abigail tinha razão e muda de idéia.
            Abigail volta para sua casa, conta tudo a Nabal, que fica amortecido. Ferido por Deus, ao cabo de dez dias, Nabal morre. Finalmente, Abigail se casa com Davi.  
            O que esta fascinante história nos ensina?

1.     As circunstâncias em que eu vivo não podem ter o poder de azedar a minha história.
Davi, herdeiro de uma promessa, sofre num deserto, mas não perde a fé, os valores 
de Deus. Abigail num lar tenso, com marido ganancioso, violento, não perde sua esperança, sua meiguice. Nabal, rico, poderoso, vencedor aos olhos do mundo nos ensina como não devemos nos relacionar. Você tem convivido, sofrido nas mãos de algum Nabal?
            Existem duas opções. Cultivar o ranço, o azedume de uma história infeliz ou decidir ser feliz, não perder a ternura e nem a fé num Deus que muda as circunstâncias, num Deus que transforma Nabais em Davis, espinheiros em videiras frutíferas, amargura em doçura.
            Davi errou em esperar alguma coisa de Nabal, homem reconhecido pela sua insensibilidade, futilidade. Não devemos esperar nada de pessoas assim. Precisamos colocar os nossos olhos, nossa esperança em Deus somente. Em quem ou no que você tem colocado sua confiança?

2.     Para que mudanças aconteçam em minha vida, tenho que me dispor a mudar, a pagar o preço.
Abigail saiu de sua comodidade, enfrentou o sol ardente do deserto indo se encontrar com desconhecidos. Ela vai, não manda empregados. E vai a toda pressa. O que tem de ser feito, deve ser feito sem demora. O esforço despendido será o mesmo e o resultado ficará garantido. A tranqüilidade da missão cumprida é impagável.
Corajosa, Abigail admoesta Davi: Não estrague sua vida, não manche sua história. Deus te fará casa firme, você será o príncipe sobre Israel (v.28, 30).
Será que a nossa família, nossos amigos, nosso povo não estão precisando que saiamos de nossa indiferença, conforto e tomemos posição? Será que não precisamos pagar o preço para que o nosso lar, os locais onde convivemos sejam transformados? Temos colocado nossos joelhos no chão em prol dos nossos amados?
Muitos responsabilizam os outros pela sua própria falta de atitude, de renúncias. Tudo tem um preço que envolve fé, visão, planejamento, compromisso, trabalho árduo. Sonhar sem alvos, sem estratégias, sem se dispor a ir à luta é fantasiar, se iludir.
Quais são as minhas limitações? Como fazer para superá-las? Não para ser melhor que o outro e sim para ser melhor amanhã do que sou hoje?   
Como as mudanças acontecem? Com esforço, trabalho, sem cruzar os braços. Como alcançar melhorias na vida profissional? Fazendo cursos, se envolvendo, se dispondo. Como obter melhorias na vida familiar? Investindo tempo, perdoando, cumprindo promessas. Não pare de lutar pelo seu lar, pela sua vida. Pague o preço.

3.     Para que algo extraordinário aconteça em minha vida, tenho que escolher adequadamente as sementes que planto.
Deus nos dá acesso ao Seu Espírito Santo e ao seu fruto. Quando semeamos de Sua Sementeira: mansidão, domínio próprio, paciência, fidelidade, bons pensamentos e atitudes, teremos um pomar abundante destes frutos e uma vida de paz, amor, alegria.
Abigail nos ensina a sermos acessíveis. Ninguém conseguia conversar com Nabal. Ela, no entanto, tinha os ouvidos atentos ao seu povo.
Abigail nos ensina a não sermos precipitados. Quando chegou em casa, após o seu encontro com Davi, Nabal estava embriagado. Com prudência, ela esperou o dia amanhecer para conversar com seu marido.
Todos tiveram sua oportunidade. Nabal não usou a sua. Davi ouviu os conselhos de 
Abigail. No final da história, cada um colheu o fruto da semente que plantou. Nabal semeou discórdia, avareza e colheu a morte. Abigail casou-se com Davi, o maior rei que Israel conheceu, um homem segundo o coração de Deus e teve um filho com ele.
            Deus das oportunidades, que nos ajuda a virar a página de nossa história e prosseguir.
            Quais oportunidades que Deus está dando pra você no dia de hoje? Pague o preço, regue, adube, tire as ervas daninhas sempre cultivando a nobreza, a excelência do padrão de Deus. Mesmo que os lucros não sejam imediatos ou compreensíveis pelo mundo, você sabe, você tem a visão do seu sonho, do seu alvo e, além disso, a paz que resulta de estar dentro da vontade do Pai é extraordinária, não há ouro no mundo que pague.

4. Para que algo extraordinário aconteça em minha vida, tenho que entender que eu sou o único responsável por isso.
            Há jovens que dizem que sua alegria virá quando se casarem. Outros, quando se
formarem ou tiverem um bom emprego. Depositar em bens ou nos outros a nossa alegria, a nossa realização é arriscado, é se tornar refém. Posso decidir ser feliz aqui e agora, com o que sou e possuo. Ser feliz é uma decisão. É valorizar o que disponho e usá-lo como matéria prima para algo novo.
Davi, no deserto, perseguido, carente em suas necessidades básicas, com medo, nos legou os maiores hinos de gratidão e louvor a Deus. Deus é fiel e o sustentou. Abigail, convivendo com um homem intolerável e intolerante manteve a dignidade. E você? O que o deserto tem revelado sobre o seu caráter?
Podemos e devemos aprender a ser felizes mesmo no meio do caos, da sequidão.  Davi, catedrático na arte de viver no deserto, nos convida a aquietarmos o coração e a confiarmos somente em Deus. A musculatura da fé de Davi foi exercitada e desenvolvida com o clamor, desabafo, fé e louvor ao Deus Altíssimo. Este Deus, que é vivo, que ouviu Davi, é o mesmo e o será eternamente. Fez de um homem fugitivo, faminto e sedento um grande rei e poderá fazer de você e de mim alguém livre, digno e abençoado. Amém e amém!

Louvado seja Deus!        

quarta-feira, 16 de março de 2011

E agora? O que fazer quando não sabemos o que fazer?

E AGORA???
O que fazer quando não sabemos o que fazer? A luta é grande demais! Sentimo-nos acuados, amedrontados, conscientes da nossa pequenez, da nossa falta de recursos... O que fazer?

O rei Josafá (870 - 848 a.C) nos ensina. A história deste rei é linda! Um homem que errou ao fazer aliança com pessoas erradas, mas que dispôs o coração a buscar a um Deus de misericórdia e poder (2 Cr 19.2-3).
Josafá era ousado em seguir os caminhos do Senhor, ousado em romper com os erros do passado (2 Cr 17.6) e, por isso, Deus abençoou sua história.
Entretanto, certo dia, vieram avisá-lo que grande multidão vinha contra ele e o seu povo. Josafá teve medo e clamou a Deus. O que este rei nos ensina? Ele nos ensina a não ficarmos paralisados pelo medo. Ele nos ensina a orar, a depender do Único que pode nos ajudar (2 Cr 20). Com este rei, aprendemos que:

  1. Deus ouve a oração de um homem humilde, quebrantado.
Oração provém da palavra prece (precarium no latim).
Quando oro, exponho o meu íntimo, derramo a minha alma perante Deus. Reconheço a minha fragilidade, a minha insuficiência.
“Na oração coloco perante Deus o que está no meu coração e não o que deveria estar” (C. S. Lewis). Eu digo: “Senhor, está escuro demais, estreito demais, não dou conta de resolver isso, preciso da Sua intervenção”.
Josafá pede socorro ao Senhor e, com humildade, expõe publicamente a sua pequenez, a sua incapacidade de resolver este problema. Josafá reconhece o poder e a grandeza de Deus e que ninguém é capaz de resistir ao Seu agir.
Josafá junta o povo para orar com ele. Quando as provações vêem, temos que lutar juntos contra elas e não um contra o outro. Por não entenderem isso, muitos (casais, famílias, igrejas) são derrotados.
Como é bom termos parceiros de oração, pertencermos a uma família, uma igreja com visão de intercessão.

“Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar;
e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então,
eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).

  1. Deus ouve uma oração fundamentada em Suas promessas.
Josafá relembra a Palavra de Deus. Deus prometera que quando eles estivessem angustiados e clamassem a Ele, seriam ouvidos e libertados (v. 7-11).

            Que luta você tem enfrentado? O sonho, a necessidade do seu coração estão embasados em alguma promessa de Deus? Então ore, em nome de Jesus Cristo, Cordeiro de Deus que nos purifica de todo o pecado e nos dá acesso ao Pai. Ore de acordo com esta promessa e aguarde o agir de Deus. Ele  é fiel e cumpre Suas promessas.

As Palavras de Deus são letras vivas, capacitadas a trazer à tona, à existência, toda boa obra.

Por que elas demoram pra agir ou porque às vezes nem agem? 
Há várias possibilidades: o pecado que nos separa de Deus (Is 59.1-2); falta de fé (Tg 1.6-7) ou entrega total de nossa vida a Deus (Sl 37.5); não é hora de clamar e sim, é hora de 'marchar', agir (Ex 14.15); ainda não estamos amadurecidos para receber a mudança que pedimos ou, mesmo, o que pedimos não será benção em nossas vidas, por não ser da vontade do Pai (1 Jo 5.14-15; Pv 16.1).
Josafá completa a sua oração dizendo: “... Não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em Ti” (2 Cr 12 b).

Aonde estão postos os seus olhos? Mantenha-os no Pai e aguarde. Deus tem pensamentos de paz a nosso respeito (Jr 29.11). A resposta de Deus pode não ser como queremos, mas vai ser o melhor pra nossas vidas, no tempo certo.

  1. Quando entregamos nossa vida ao Senhor e esperamos n’Ele, a peleja não é mais nossa e sim d’Ele.
Deus responde por meio do levita Jaaziel e diz:
“... Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão,
pois a peleja não é vossa, mas de Deus...
Neste encontro, não tereis de pelejar; tomai posição, ficai parados e
vede o salvamento que o Senhor vos dará... porque o Senhor é convosco” (2 Cr 20.15, 17 a)

Deus conosco, Deus Emanuel. Louvado seja! Quando entregamos o nosso caminho ao Senhor, podemos confiar e aguardar. Deus trabalha por aqueles que nele esperam:
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu,
nem com os olhos se viu Deus além de Ti,
que trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4)

           4. Num milagre, Deus nos convida para parceria. Sempre há algo que devemos fazer.
Há hora de orarmos, com fé (v. 6-12), hora de aguardarmos 
com paciência (v.17) e hora de tomarmos posição, como exércitos de Deus, e fazermos o que compete a nós (v.20).
       Neste caso foi manifestar confiança e obediência a ordem de Deus. Ir ao encontro dos adversários, louvando a Deus, em voz alta, sem acanhamento.

            Louvor quebra barreiras, move o coração de Deus. Louvor desnorteia o inimigo. Louvor estende o tapete, prepara o caminho para os milagres. 
A fé e a obediência a Deus mudam nomes, sentimentos, situações. O vale da morte passa a ser chamado vale da benção, o medo torna-se alegria e o povo ameaçado de guerra passa a ter paz e repouso por todos os lados.

            Como precisamos envolver Deus em nossa história, em nossos negócios!
            Como precisamos orar, jejuar, louvar mais a Deus!

Deus que se inclina pra ouvir o nosso clamor (Sl 40.1).
Deus que nos instrui, nos ensina o caminho a seguir (Sl 32.8).
Deus que nos protege quando as muitas águas transbordam (Sl 32.6).
Deus que olha para nós e nos livra da morte (Sl 33.18).
Deus que alarga nossas tendas, nossas fronteiras, que amplia nossa visão.
Deus que nos dá o melhor desta terra (Is 1.19).

“Rendei graças ao Senhor, porque sua misericórdia dura para sempre” (2 Cr 21 b).

Que este Deus de amor e bondade olhe para nós e nos abençoe!

domingo, 6 de março de 2011

"No avesso da vida"

No avesso da vida (Lucas 13.10-17)

            Certo menino sentava-se aos pés de sua mãe enquanto ela bordava. Ele olhava para cima e via linhas entrelaçadas e não entendia o que a mãe estava fazendo. Perguntava e ela respondia: - Estou bordando. Certo dia, sua mãe mostrou o quadro que tinha bordado e ele ficou maravilhado. O tempo passou, o menino cresceu e um dia sua vida estava tão confusa que ele se lembrou do bordado de sua mãe. Orou a Deus dizendo: - “Meu Pai, minha vida está uma desordem, sem sentido. Parece o avesso da paisagem que minha mãe bordava, mas eu creio que um dia o Senhor me mostrará o lindo quadro que está bordando e, pela fé, quero aquietar o meu coração e esperar”.

            Muitas vezes nossas vidas parecem que viraram do avesso. Ficamos tristes e desiludidos, encurvados diante do peso de nossos problemas. No texto, Jesus cura uma mulher que há 18 anos andava encurvada. Imediatamente ela endireita o corpo e dá glória a Deus.

O que eu aprendemos com este texto?
  1. Aprendemos que precisamos identificar o que tem nos curvado.
Não sabemos o que entortou a mulher, mas não deve ter acontecido de
repente, deve ter sido aos poucos. Isto pode acontecer conosco, a gente vai se dobrando diante das lutas, dos problemas. Por fora, a aparência de super mulher, super homem, poderoso. Por dentro, a dor, o medo, o sentimento de incapacidade. Por dentro, encurvado.

            O que pode nos encurvar? Mágoas, culpas, traições, solidão, incompreensão, doenças, saudosismo, dívidas. Muitas vezes nos sentimos descartáveis, incompetentes como profissionais, como pais, como cristãos. Olhamos para baixo e deixamos de contemplar a beleza da natureza, de buscar a face de Deus. Tem algo encurvando sua vida? O que?
           
  1. Aprendemos que quando nos movemos em direção a Deus, algo novo acontece.
Você pode ter tentado de tudo e nada adiantou. Agora, você desistiu, perdeu a esperança. A falta de esperança é pior que a dor. O texto diz que nada podia endireitar a mulher (v.11b), mas aquilo que o homem não pode, Deus pode!
            “E veio ali” (v.11). A mulher tomou uma atitude: ir até Jesus, buscar o Único que poderia curá-la. Primeiro a mulher encurvada vai, depois o Mestre a chama para mais perto d’Ele (v.11-12).
Jesus impõe-lhe as mãos (v.13). Ah, o toque de Deus! É tremendo! O toque de
Deus transforma, cura, anima. Toque que enxuga toda lágrima, que sacia toda necessidade, apruma o que está torto (v.13). O Rev. Magno V. Paterline diz que Jesus é o melhor carpinteiro do Universo, desentorta qualquer pau que nasceu torto. 
Era um dia como outro qualquer, mas a Presença de Jesus fez dele um dia inesquecível. A Presença de Deus continua trazendo renovo a todos que O buscam.

Você anda encurvado sob o peso da carga que carrega? Olhando somente para baixo? Vá até Jesus e derrame seu coração, sua dor! Ele convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Deus nos atrai com amor e faz de nossa alma desfalecida um jardim regado e saciado.

  1. Aprendemos que Deus nos vê e ouve o nosso clamor (v.16).
Um Deus que vê, ouve, conhece nossa vida. Um Deus que não é indiferente, omisso. Um Deus que se move em nossa direção e nos livra. Um Deus que não nos abandona. Para viver conosco na eternidade, Deus mandou Jesus, Seu Único filho para morrer na cruz.
Deus não está indiferente. Ele conhece o tamanho da sua dor, o que você
tem enfrentado. Você não é anônimo para Deus.
            Moisés estava no deserto, suado, sujo, cuidando de ovelhas e vê uma sarça diferente, um fogo ardendo. Aproxima-se e ouve Deus falando com ele: “... vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento”; por isso, desci a fim de livrá-lo...(Ex 3.7-8)
Deus que perdoa, que renova o nosso interior, endireita as veredas, desembaraça nossos pés. Deus que reacende, dentro de nós, fogo novo, vida nova. Não podemos mudar o passado, mas Deus transforma nossos problemas em oportunidades, em alegria, em renovo.

            Entretanto, precisamos tomar posição, sair de cima do muro. Buscar Sua Presença, com temor e tremor. Enfrentar o que está entortando, atrapalhando nossa vida e ter coragem para retirar, para mudar, com a ajuda do Pai.

  1. Aprendemos que devemos nos consagrar a Deus e adorá-Lo (v.13).
A mulher se endireitou e, imediatamente, glorificava a Deus. Não espere a
cura, os milagres para ser um adorador. Deus procura homens que O adorem, que se coloquem na brecha. Homens que se disponham, que se comprometam.
Entretanto, precisamos retirar o que nos atrapalha, nos amarra. Libertar-nos dos fardos que não agradam a Deus e que arrastamos conosco, dia após dia, sejam eles a insegurança, o medo, as mágoas, as frustrações, as lembranças de antigas derrotas, perdas.
Reveja a sua agenda, a sua prioridade e peça a Deus um renascer, um renovo no Seu relacionamento com Ele, uma nova esperança.  

O que significa endireitar-se?
a. É pedir perdão pelos pecados. É receber Jesus como Salvador pessoal.
b. É buscar uma vida de santidade, que agrade a Deus.
c. É tornar-se um verdadeiro adorador. É voltar ao primeiro amor.
d. É priorizar uma vida de obediência e comunhão com Deus. Buscá-Lo sempre.
e. É se comprometer com Sua obra e se dispor a servi-Lo, em todo tempo.

            Ore ao Senhor e diga: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23-24). Mostra-me Senhor o que está me dobrando. Perdoa meus pecados. Limpa-me, purifica-me, endireita minha vida. Ensina-me a adorá-Lo e servi-Lo, por inteiro. Em nome de Jesus. Amém!

Para sua meditação: