“... Sob a Tua Palavra lançarei as redes" (Lc 5.5b)


'O Teu caminho, ó Deus, é de santidade.

Que Deus é tão grande como o nosso Deus?

Tu és o Deus que opera maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder" (Sl 77.13-14)


sexta-feira, 29 de julho de 2011

"Dignidade nas aflições!"

“Dignidade nas aflições!” – Uma história real!
TEXTO BIBLICO: 1 Samuel 25.1-38                  
Davi vivia um momento difícil. Samuel, que ungira Davi como futuro rei de Israel, tinha morrido e Davi, ameaçado de morte pelo Rei Saul, foge, com todo o povo que vivia com ele (600 homens e familiares), para o deserto de Parã.
Naquela região vivia um homem rico, Nabal, de uma tribo amiga de Judá. Era época de festa, momento em que os pobres eram ajudados. Davi manda pedir apoio já que, tempos atrás, tinha socorrido os servos deste homem.

Nabal, homem duro e maligno desdenha Davi, que decide atacá-lo. Um dos empregados de Nabal conta para Abigail (esposa de Nabal) o perigo que corriam e os benefícios que Davi proporcionara a eles. Rapidamente, Abigail prepara pães, vinhos, ovelhas, trigo, pastas de figo e leva para eles, intercedendo pelo seu povo. Reconhece que Deus está com Davi, que ele seria o futuro príncipe sobre Israel e o aconselha a não sujar a sua história, vingando-se com suas próprias mãos.

Davi reconhece que Deus havia enviado Abigail ao seu encontro para impedi-lo de cometer um grande erro. Abigail volta para casa, encontra o seu marido bêbado. Não conta nada, a não ser no dia seguinte. Dias depois, Nabal, ferido pelo próprio Deus morre e Abigail, se casa com Davi.

Linda história! História de prudência nas aflições, arrependimento, transformação.
O que eu aprendo?

  1. Todos têm fardos para carregar, mas eles não devem comprometer a nossa dignidade:
Os personagens principais desta história... cada um com sua luta:
Davi, perseguido injustamente, vivendo foragido e com medo, num deserto.
Abigail vivendo com um homem intolerável, perverso.

E nós? E você? Tem algum fardo encurvando a sua vida?
Jesus Cristo, é o Único que pode aliviar a nossa dor e Ele nos convida:
 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e
sobrecarregados,e Eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

           Dia a dia percebemos que há muitos Nabais, Jezabéis (1 Reis 16-18), pessoas más, indiferentes, que tentam tirar a paz, a alegria dos filhos de Deus. Quantos lares sufocados pela tensão, egoísmo, brigas, traições? 
           Nabal era um ótimo administrador, mas insensível às necessidades do próximo e de sua família.

E nós? Temos estado atentos às necessidades do nosso próximo? 
Que saibamos dar os valores devidos às nossas atividades, relacionamentos. Que Deus nos livre da ganância, do exclusivismo e de viver dirigido pelo: ‘custo & benefício’. Que enfrentemos, carreguemos nossos fardos, sem perder a honradez, sem nos aliarmos ou nos tornarmos reféns de pessoas malignas.  

  1. A vingança pertence somente a Deus.
José quando podia se vingar de seus irmãos disse: “...acaso, estou eu em lugar de Deus?” (Gn 50.19). Deus diz: “... A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei” (Rm 12.19b).           
           Com Deus não se brinca. Tudo que o homem semear, ele colherá, em porção multiplicada e da mesma espécie. 
           Davi desiste da vingança. Deus faz justiça e Nabal morre.

  1. Devo pagar o preço: lutar, sem descanso, pela minha família.
Abigail sai de sua comodidade para salvar o seu povo. Sem vacilar, prepara comida e sob o sol forte do deserto, apressa os passos para entregá-la pessoalmente.
       Será que a nossa família, nosso povo não está precisando de ajuda? 
          
           Quero que o meu lar seja transformado? Preciso pagar o preço! Orar pelos familiares, adotar meus filhos. O que é adotar? É ser mais tolerante, amoroso, dar tempo a eles, orar por eles e com eles, ser exemplo em minhas atitudes e palavras. Pedir ajuda, se preciso for.
Quero progredir na minha vida profissional? Preciso pagar o preço! Aprimorar meus conhecimentos, fazer cursos, melhorar meu desempenho, prestar concursos.
Quero ser feliz? Preciso pagar o preço! Melhorar o que for possível: cumprir promessas, não mentir, pedir perdão quando necessário. 
Decidir ser feliz em toda e qualquer situação, valorizando os relacionamentos e as boas dádivas de Deus.

Aprendemos com Abigail a sermos:
  • Formosos (v.3): O que me deixa formoso? Cirurgia Plástica? Nem sempre! Mas um coração alegre! (Pv 15.13). Conheço pessoas com rosto destituído de beleza, da simetria tão propagada, mas que são tão simpáticas que é uma delícia conviver com elas. O contrário também é verdadeiro.
  • Disponíveis, acessíveis (v.14): O servo procura Abigail e encontra guarida. As pessoas são bem recebidas por você?
  • Prudentes (v.18): Abigail não espera acontecer, se dispõe a lutar pelo seu povo, sem delongas.
  • Humildes, sem negociar a excelência (v.23-31): Mesmo reconhecendo que Deus está com Davi e que ele seria o futuro rei de Israel, Abigail o admoesta, firme em suas convicções.
  • Discretas (v.36-37): Espera a hora certa para falar com Nabal.

  1. Deus nos dá oportunidades, mas um dia elas acabam.
Deus deu oportunidade a Nabal de se aliar ao futuro Rei de Israel, mas ele não considerou. Anos depois, Davi é consagrado rei em Hebrom, a cidade mais importante na região ocupada pela tribo de Calebe (linhagem de Nabal) (2 Sm 2.1-4). Nabal morre, deixando um triste memorial.
       Deus deu oportunidade a Abigail de se casar com o Rei Davi, um homem sensível, amoroso, um homem segundo o coração de Deus (At 13.22) e ter um filho com ele, Quileabe ( 2 Sm 3.3). Abigail presenciou milagres, livramentos de Deus sobre a vida de sua família.
            Deus deu oportunidade a Davi de não cometer uma injustiça.

Que o nosso amado Pai, nosso Deus Altíssimo, Eterno:
  • Incomode o nosso coração para que possamos sonhar com ventos de mudança, de restauração.
  • Dê sensibilidade ao nosso coração para não perdermos as oportunidades de falarmos a verdade, de modo cordial, sem negociar valores para agradar o outro.
  • Faça de nós pessoas dignas, responsáveis, honestas, em todo tempo.
    • Servos corajosos para sair, com intrepidez, da zona de conforto e fazer diferença em nossa geração.
Que os Nabais e as Jezabéis sejam transformados, pela ação miraculosa de Deus, em Davis e Abigais, para que o nome do Pai seja louvado e para que: 
“... todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam que
a mão do Senhor fez isso, e o Santo de Israel o criou” (Is 41.20).
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

'Espanando as ‘teias’ de antigos sonhos'

Alguém disse que os nossos sonhos são como estrelas. Não podemos tocá-los, mas podemos escolher quais deles utilizaremos como guias. Você tem sonhos? Há quem diga que vivemos uma geração de gente cansada, que deixou de sonhar.

Thomas E. Lawrence (1888-1935), conhecido como Lawrence da Arábia, arqueólogo e escritor britânico disse: “Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos de suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de vaidade. Mas os que sonham acordado, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis”.

Sonhadores de dia: gente ousada, que encena (mentalmente) seus sonhos até torná-los possíveis. Gente com foco, com direção, gente que sabe o que quer.

A história bíblica conta a respeito de homens que sonharam com olhos abertos e fizeram grandes conquistas: Moisés sonhou com a liberdade do seu povo, Davi em construir um templo para o Senhor, Josué e Calebe em conquistarem Canaã.
Alguém perguntou: “Qual o lugar mais rico da terra? Seriam as minas de diamante da Rússia ou as reservas de petróleo da Arábia Saudita?” - Nenhum deles! O local mais rico da terra é no cemitério. Lá jazem telas que nunca foram pintadas, poesias que nunca foram escritas, projetos que nunca se realizarão, inventos não testados, palavras de amor nunca ditas. Quantos sonhos enterrados! Muito triste!

            No livro “Artesões de uma nova história”, Ricardo Gondim diz:
“Necessitamos de gente que saiba sonhar de novo. Precisamos de pessoas...
... cujo exemplo seja uma inspiração;
... que amem mais a humildade do que a propaganda;
... conhecidos e amados no céus;
... conhecidos e temidos no inferno!
Ora, se o mundo do cego é limitado pelos olhos que não vêem e o do ignorante pelo conhecimento que não possui, o mundo do medíocre é limitado pelos sonhos que não possui.
Uma geração pobre não é aquela sem riquezas, e sim aquela que não possui homens e mulheres que saibam sonhar...”

Quero desafiá-lo a relembrar, agora, antigos sonhos. A trazê-los à luz, a tirar a poeira, as teias de antigos projetos. A consultar a Palavra de Deus pra entender se este anseio é digno, se ele está de acordo com as promessas do Pai. Se sim, estabeleça, com urgência, as estratégias para alcançá-lo. É tomar atitudes com entusiasmo, zelo e avançar.

            Jabez foi um jovem comum, que não levou em conta seu passado, o estigma do seu nascimento. Ele se destacou por saber sonhar: “Foi Jabes mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-lhe Jabes, dizendo: Porque com dores o dei à luz.
Jabes invocou o Deus de Israel, dizendo: Oxalá me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido...” ( 1 Cr 4.9-10).

Minha família está vivendo, hoje, momentos de decisões. Tenho orado: “Senhor, qual é o seu sonho para nossas vidas? Queremos sonhar este sonho. Sei que os Seus sonhos não são medíocres, pois não atenta para nossa possibilidade, para nossas limitações. Em Suas mãos, sonhos majestosos tornam-se viáveis, reais e visíveis, pois não somente é um Deus de poder como também é um Deus de amor, que zela por nossas vidas até quando dormimos.
Deus, ensina-nos a sonhar, a perseguir os sonhos que provém do Seu querer, com intrepidez e perseverança. Dê-nos sensibilidade para identificarmos nas coincidências, nas portas abertas, as Suas providências, o Seu poder revelado e atuante em nossas vidas. Usa-nos, para Sua honra e glória, somente.  E, obrigado pelo muito que já tem feito. ”: “As suas mãos dirigem o meu destino, acasos para mim não haverá”.  
Louvado seja Deus!



Para o seu deleite segue a letra do Hino 163 do Novo Cântico (um dos meus favoritos), autoria de S. P. Kalley:

“As Tuas mãos dirigem meu destino!
Ó Deus de amor, que seja sempre assim!
Teus são os meus poderes, minha vida;
Em tudo, eterno Pai, dispõe de mim.
Meus dias sejam curtos ou compridos,
Passados em tristezas ou prazer,
Em sombra ou luz, de acordo com o teu plano
É tudo bom se vem do teu querer...

As Tuas mãos dirigem meu destino,
Por mim cravadas na sangrenta cruz!
Por meus pecados foram traspassadas,
Bem posso nelas descansar, Jesus!
Nos céus erguidas, sempre intercedendo,
As santas mãos não pedirão em vão;
Ao Seu cuidado, em plena confiança,
Entrego a minha eterna salvação.

As Tuas mãos dirigem meu destino,
Acasos para mim não haverá!
O grande Pai vigia o meu caminho
E sem motivo não me afligirá!
Encontro em seu poder constante apoio,
Forte é Seu braço, insone o Seu amor;
Por fim, entrando na cidade eterna,
Eu louvarei meu Guia e Salvador, Amém!

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

“Coração enganoso”


 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas,
e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?
Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos;
e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto de suas ações”  
(Jr 17.9-10)

            Um ancião descreveu seus conflitos internos ao tomar uma decisão: - "Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é bom, generoso. Os dois estão sempre brigando". Perguntaram-lhe: - “Qual cachorro ganha a briga? O ancião refletiu e disse: "Aquele que eu alimento mais freqüentemente. Este direciona minhas decisões e os frutos que eu colho".  
             
            Diariamente somos desafiados a lutar contra pré-conceitos, pré-julgamentos, mas, na ‘hora H’, nosso ‘enganoso coração’ pode se tornar o nosso maior inimigo. Os sentimentos podem nos fazer enxergar coisas que não existem. Por eles, rotulamos pessoas, situações, muitas vezes, injustamente. As emoções podem ainda nos impelir a tomarmos decisões que vão minando a nossa essência, gerando ranço, dor, ciúmes.

O Rei Saul deixou-se levar pelo coração. Com ciúme incontrolável, estragou sua história e perdeu grande parte de sua vida perseguindo Davi. Sua preocupação com a aparência, com o reconhecimento do povo o fez menor, mais fraco, fútil. Perdeu a oportunidade de, como Rei de Israel, cumprir o projeto de Deus e deixar um brilhante legado. Destruiu-se a si mesmo. Derrotado, longe de Deus, suicidou-se (1 Sm 31). 

Muitos têm se auto aniquilado e destruído sonhos e a alegria dos que convivem com ele. Quem está longe de Deus não só arruína sua vida, mas respinga coisas ruins por todo lado.

Davi, por sua vez, vivia pelos desertos, fugindo do Rei Saul. Teve oportunidade de matá-lo, mas não o fez porque Saul era um rei ungido por Deus. Davi tinha fé e sabia esperar pela promessa de que ele seria, um dia, o rei de Israel. Sempre atribuía a Deus as suas conquistas. Sabia que as guerras não eram ganhas porque era um guerreiro excepcional e sim, porque Deus lutava por ele.

Perseguido, sem recursos, chorava a Deus a sua dor, mas sempre nutria esperança de livramento. Legou ao mundo poemas formosos, profundos, sensíveis, resultado da intimidade que desfrutava com Deus. Um homem de discernimento, e, por isso, serviu à Sua geração, conforme o desígnio do Pai (At 13.36).

Qual cachorro você tem alimentado? Você se identifica com Saul ou com Davi? Que Deus desenvolva em nós discernimento para distinguirmos o que é real do que é fantasia. Juízo para não nos precipitarmos, para não desperdiçarmos nossas vidas ou energias cultivando sentimentos ou atitudes que desagradam a Deus, que conhece as intenções do nosso coração e pensamentos.

Que saibamos buscar, esperar e obedecer ao Senhor de nossa história e que Ele nos abençoe.

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